Superpotência sem hegemonia? Os Estados Unidos na nova configuração geopolítica mundial
Resumo
Este artigo investiga em que condições os Estados Unidos podem permanecer uma superpotência sem conservar a hegemonia exclusiva do sistema internacional, coexistindo com China e Rússia em um contexto de fragmentação do multilateralismo. O argumento é construído a partir de uma leitura geográfica deliberadamente restrita a Claude Raffestin, Milton Santos e Yves Lacoste, enquanto a literatura recente é cotejada como evidência da conjuntura. Sustenta-se que a condição de superpotência pode sobreviver à perda da hegemonia quando um Estado conserva capacidade multidimensional de articular território, redes, informação, tecnologia, alianças e recursos em diferentes escalas. Para os Estados Unidos, isso dependerá menos da restauração da unipolaridade e mais da preservação de posições estratégicas em redes seletivas de poder, da gestão multiescalar dos espaços decisivos e da contenção da sobre-extensão. China e Rússia ampliam a competição, mas o fazem por geometrias distintas e assimétricas de poder.

