Apresentação editorial
É com grande satisfação que apresentamos ao público e especialmente aos alunos dos nossos cursos de Filosofia, História, Geografia Sociologia e Teologia a primeira edição da Revista Logos UniCesumar, referente ao módulo 53 do ano de 2026.
A revista celebra um projeto idealizado no início de 2025, junto ao ex-coordenador de nossos cursos, o professor e padre Eduardo Batista da Silva, que atualmente retomou sua vocação religiosa, a quem gostaríamos de registrar o nosso profundo reconhecimento.
Devemos agradecimentos também ao aluno Lucas Medeiros de Freitas, aluno do curso de Filosofia que trabalhou diretamente na criação do site da revista e atuou diligentemente em todo o projeto para que possamos apresentá-lo da maneira em que se encontra agora.
Nesta primeira edição, portanto, com estimulante espírito inaugural, cumpre declararmos nossos objetivos. Queremos, com a Revista Logos Unicesumar, criar um canal de aproximação com nossos alunos, oportunizando debates através da publicação de textos voltados a temas filosóficos, históricos, geográficos, sociológicos e teológicos. Nesse sentido, estimulamos que todos os interessados no mundo da pesquisa acadêmica nos enviem seus textos seguindo o modelo do template disponibilizado para download na página inicial do site da revista. Nossas publicações ocorrerão modularmente, portanto, contaremos com quatro publicações anuais.
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Nesta primeira edição, temos o prazer de apresentar a arte da capa, intitulada Caverna, feita pelo nosso aluno Flávio Leme do curso de Filosofia. De acordo com o próprio artista: “Ao centro, entre sombras e luzes, uma figura humana de gênero neutro conduz uma das mãos para si, enquanto a outra toca as bordas disformes da caverna, em uma alusão à Alegoria da Caverna de Platão, texto seminal que se refere ao Livro VII de A República”.
Em ordem alfabética dos nomes dos autores e autoras, seguem-se a seguir, os textos apresentados neste primeiro volume: 1) Ensino de História e as novas tecnologias: relato de experiência na rede pública do estado do Paraná, de autoria de Adriele Andrade Ceola, analisa a integração das tecnologias digitais no ensino de História nos anos finais do Ensino Fundamental II a partir de um relato de experiência com turmas de 6º ano sobre Roma Antiga. O artigo demonstra que o uso de acervos virtuais, Chromebooks e da plataforma Padlet atua como ponte conceitual para temas abstratos e estimula o protagonismo discente, mas evidencia barreiras estruturais da rede pública, como escassez de equipamentos, conectividade precária e disputas por recursos tecnológicos entre disciplinas; 2) Xenofobia e alteridade: uma revisão bibliográfica a partir de perspectivas socioespaciais, geopolíticas e psicanalíticas, de autoria de Alexandre Luís Ponce Martins e Vivian Rafaella Prestes, discute o conceito de xenofobia a partir de uma abordagem transdisciplinar que articula aspectos socioespaciais, geopolíticos e psicanalíticos, caracterizando as relações xenofóbicas ao longo da história e suas manifestações na contemporaneidade;
3) Teoria do revestimento moral versus teoria da evolução da ética: a primatologia ataca a filosofia, que discute o tema da ética evolucionista contra a tradição da ética entendida como inerentemente egoísta, de autoria do professor regente de Filosofia, Antonio Alves, confronta duas concepções rivais sobre a origem da moralidade humana: de um lado, a visão (defendida por Hobbes, Huxley e Freud) de que a ética seria um fino verniz que recobre uma natureza intrinsecamente egoísta; de outro, a perspectiva darwiniana, retomada pelo primatologista Frans de Waal, segundo a qual a moralidade é um desdobramento dos instintos sociais já presentes em primatas, havendo continuidade evolutiva entre o comportamento animal e a ética humana, e não uma ruptura abrupta; 4) Quando o suficiente nunca é suficiente: Epicuro, Marx e a vida sob o imperativo da produtividade, de autoria do graduando em Filosofia Erick Machado, investiga por que a tranquilidade se torna difícil de realizar na sociedade contemporânea, articulando a ética epicurista do prazer e do limite dos desejos com a crítica marxiana à subordinação da produção, do trabalho e do tempo à valorização do capital, argumentando que o capitalismo favorece um "hedonismo da inquietação" (prazeres rápidos, comparativos e reiteráveis) e que práticas epicuristas podem constituir resistência cotidiana, mas não substituem a transformação das condições sociais que distribuem desigualmente tempo, segurança e possibilidade de repouso;
5) A cultura escolar como categoria de análise do PPGE – UNESP, Campus de Marília, de autoria de Guilherme Herreira Alves, investiga a hipótese de que o Programa de Pós-Graduação em Educação da UNESP/Marília possui uma cultura própria, constituída pela tensão entre normas institucionais e práticas cotidianas. Estendendo o conceito de cultura escolar, originalmente pensado para a educação básica, ao ensino superior, o autor defende que a identidade do Programa não se reduz ao prescrito nem ao praticado isoladamente, mas emerge justamente da relação histórica entre ambos; 6) Entre reconhecer e punir: misoginia, insegurança doméstica e os limites do PL 896/2023, de autoria da professora e aluna do curso de Filosofia Janaína Rocha Machado de Oliveira, examina o problema filosófico suscitado pelo Projeto de Lei nº 896/2023: em que medida a tipificação penal da misoginia pode enfrentar a violência doméstica sem reduzir relações estruturais de poder a uma questão meramente criminal, nem converter a defesa da igualdade em restrição indevida da liberdade. O artigo sustenta que a criminalização cumpre uma função legítima de reconhecimento ao declarar incompatíveis com a igualdade práticas de violência, inferiorização e restrição de direitos.
7) Consciência e liberdade na era da inteligência artificial, de autoria do graduando em Filosofia João Gabriel Sadzinski, investiga os limites da atribuição de consciência, liberdade e responsabilidade às Ias — contrapondo perspectivas fisicalistas, o experimento mental do zumbi de Chalmers, o quarto chinês de Searle, a fenomenologia husserliana, o existencialismo sartriano e a teoria crítica da tecnologia de Feenberg — para concluir que a tecnologia não é neutra e que tais atributos são exclusivamente humanos; 8) Entre a conexão e a distração: smartphones, indústria cultural e formação crítica na educação contemporânea, de autoria de Karina Michelle Alves, analisa as contradições entre as possibilidades de conexão e acesso à informação proporcionadas pelos smartphones e os processos de distração e disputa pela atenção característicos do ambiente digital, articulando as contribuições de Pierre Lévy, Theodor Adorno, Max Horkheimer e Paulo Freire para discutir os desafios da formação crítica na era digital.
9) Ética em perspectiva wittgensteiniana: breves considerações sobre os jogos de linguagem morais, de autoria de Marcelo Ferreira Ribas, reflete sobre o lugar da ética na filosofia tardia de Ludwig Wittgenstein a partir do conceito de jogo de linguagem, propondo a noção de "jogos de linguagem morais" para designar práticas linguísticas nas quais se expressam juízos, avaliações e conceitos morais, identificando condições gramaticais que orientam seu funcionamento, tais como a voluntariedade da ação, as razões para agir e a intencionalidade, e a "atitude para com a alma”; 10) Superpotência sem hegemonia? Os Estados Unidos na nova configuração geopolítica mundial, de autoria do professor regente de Geografia, Roberto Rodolfo Georg Uebel, investiga em que condições os Estados Unidos podem permanecer como superpotência mesmo sem a hegemonia exclusiva do sistema internacional, em coexistência competitiva com China e Rússia em um contexto de fragmentação do multilateralismo.
Resta-nos tão somente desejar a todos e todas uma excelente leitura!

